14.6.09

Com certeza nada se passou de especial. Ou sim. De certeza que alguém reparou num olhar meu, num passo em falso. Se calhar eu uso máscaras, deixei-as caír, e alguém me viu a tentar apanhá-las do chão.

8.6.09

Quero amar todas as mulheres ao mesmo tempo e cada uma para sempre.

2.6.09

"-Fica acordada à minha espera... Eu nunca mais vou dormir, e tu sabes... quando os bares fecharem, os meus amigos se cansarem, e o mundo se for deitar para trabalhar de manhã, aí, eu só me vou lembrar de ti. Podia ser quase um insulto eu só me lembrar de ti no vazio, mas não, é amor."

29.5.09

Embriaguez. O Alter Ego escreve poesia e nunca mostra a ninguém. Porque será? Porque simplesmente não está preocupado, ou porque tem medo que a sua poesia não seja nada de especial? Gostava de me expor todo, todinho, aliviar cada poro, expôr-me até ser impossivel alguém distanciar-se de mim, expôr-me até provar que somos todos o mesmo, que totalmente expostos, abertos, somos todos iguais, simples, indescritiveis por palavras, compostos por uma estranha matéria, matéria estranha essa, que um dia obrigou um homem a inventar a música, só por ânsia de exprimi-la. Confuso, héin? Está bem. Paga-me um copo.
Não há nada mais fantástico no mundo do que música. O cinema é giro, mas são imagens, se não são pessoas são paisagens, se não são paisagens são bonecos, e por mais surreal ou fantástico que seja, é sempre tudo demasiado parecido com o nosso mundo: Formas, profundidade, movimento. O ser humano podia ser o ser mais inútil de todos os seres, se não tivesse inventado a coisa inútil que é a música. Não existe absolutamente mais nada assim, especialmente se não houver poemas e letras. É só chegar e entrar, sem perguntas, sem respostas, sem morais. Sensação. É por isso que eu gosto de ter os sentidos comovidos, é por isso que eu quero AMAR as mulheres, porque o que eu amo acima de tudo é a música. ~Para mim a música é a sensação indízivel que tenho quando sinto as tuas costas a dilatar contra o meu peito enquanto respiras, para mim música é conduzir calado contigo ao meu lado, para mim música é ter vontade de sorrir, só por te ver a dormir. Música é eu sentir que o meu corpo está vivo, que dentro dele o sangue se mexe sózinho dentro das minhas veias, que os meus músculos se mexem, que as minhas entranhas trabalham para atingir o objectivo de manter vivo o ser que não tem objectivo - Moi! Música é estar sentado no comboio, é ver uma mulher a procurar qualquer coisa na carteira e a corar de vergonha "Estava memo aqui."
Música é estar a ver as pessoas a fazer exercicio no paredão em frente à praia, enquanto se troca um charro entre amigos (e isto é clássico). Por isso é que há certos filmes que são tão bons. Porque deixaram de ser só uma história, ou só imagens e sons encadeados com estilo, porque pelo menos em certos momentos foram música, juntaram as coisas todas que compõem uma merda de uma imagem em duas dimensões em movimento e criaram uma emersão na sensação. O tipo que está a ver não está excitado com qualquer truque do filme, está a ter uma sensação em movimento.
O Alter Ego falou, está dito.
Talvez amanhã diga o contrário.
MORRER
Se não em casa, pelo menos a caminho.

28.5.09

Adoro o ruído das cidades quentes, os putos a jogar à bola, um bebé a chorar, uma mulher de voz esganiçada que grita, as garaglhadas abertas de dois homens, o chiar de uma bicicleta velha que passa, as moscas a rodopiar por cima dos caixotes do lixo cheios.
Respira, volta ao inicio. E que não faça sentido.
Um título:
SONS DA MINHA JANELA DE VERÃO - Um documentário Alter Ego
A minha janela dá para uma praceta, uma praceta com uns quantos pinheiros e rodeada de prédios. Da minha janela ouve-se o mar. As ondas a bater na praia uma atrás da outra e a molhar os pés na areia, um casal que passeia um bebé. Mais atrás três amigos sentados num banco, fumam e riem. Passa um comboio. Leva centenas de pessoas lá dentro. Um tipo vestido de fato tira os olhos da janela e verifica as horas no relógio de pulso. Outro, ainda com o sal da praia a roçar na pele e na camisa, deixa os olhos pesados seguir a linha morena das pernas de uma rapariga. Uma brisa quente abana as folhas das árvores perto da estação, A mulher do café acaba de varrer a esplanada, entra devagar e chocalha os pratos a lavar a loiça. Na Marginal os carros passam rápido, um apita. Ao longe, uma ambulância serpenteia entre o trânsito. Há obras, buldozers, numa mercearia uma velhota queixa-se do preço das coisas. Dois putos picam-se a descerde bicicleta uma avenida. Atrás de um portão um cão não gosta do que cheira e ladra. Outro, noutra rua, ouve-o e começa também a ladrar.
Uma criança de quatros anos grita enquanto corre a gargalhar atras de um cão. Vêm mais miudos e correm todos atrás do cão. Outro miudo surge com uma bola, chuta, começa o jogo. A avó de um dos putos passa e grita-lhes para fazerem menos barulho. O miúdo mais alto chuta a bola que bate num portão. Passa um carro. Por cima do portão está a minha janela.

21.5.09

06.38 da manhã - Marginal
Música, movimento e sensação. Sou tão feliz a conduzir este carro a ver o sol nascer pelo retrovisor e a ouvir o som aleatório do auto-rádio como serei em qualquer auge da minha vida. O Alter Ego está bêbado, desconfia até que lhe puseram qualquer coisa na bebida, mas não está preocupado. Está a ver o dia a nascer, as estradas a correr e a música em altos berros inunda-lhe o corpo. Tem as duas janelas totalmente abertas e segue pela auto-estrada a 180 km/h. Em certos momentos a música sabe-lhe tão bem que ele não resiste a deixar o corpo dançar.
Eu nunca tiro os óculos de sol mas as pessoas vêm-me transparente. Eu estou naquele sítio, áquela hora, há um tumulto fora do meu corpo, as pessoas correm, riem-se, gritam, mas aqui dentro tudo acontece com uma calma de buraco negro. Eu cruzo o meu olhar com o de um assassino violador, observo-o: Forte, másculo, triste, fraco e com o orgulho ferido. É igual a mim, é igual a todos os homens, e nalgum instante apaixonou-se pela maneira como uma rapariga se mexia e falava. Perdoo-o tanto quanto posso perdoar alguém: olhando-o nos olhos. Sigo.
É sempre mais facil conviver com os outros se na tua cabeça lhes limitares as possibilidades: Este só percebe de x, aquele só quer é festa, o outro está-se a cagar, aquele ali tem a mania que é poeta. Pegas nas pessoas e arruma-las em prateleiras deixando sempre um espaço livre para a tua. Fechas pessoas vivas em mini-mitos. E antes que te apercebas não estás a ouvir ninguém, não estás a perceber ninguém, só estás atento para aqueles instantes em que as pessoas se comportam como devem na prateleira que lhes deste.
Um dia eu pensei que devia entregar o meu corpo e a minha alma à pura experiência do mundo. Mas ainda não era a altura, havia demasiados pensamentos, e esses pensamentos estavam desfasados da velocidade real dos acontecimentos. eu tinha medo e debatia-me.
Um dia acordei e estava calmo.